quinta-feira, 4 de junho de 2009

Banco da praça

Dando uma olhadinha nas páginas viradas do meu livro, senti saudade. Não saudade do dia que passou, do ano que não se repetirá. Mas saudade de uma Bia que mudou de página. Era tão cômodo acordar tarde, ir para a escola e encontrar todos os amigos, depois da aula fazer a tarefa e correr para a pracinha... ahhh, um suspiro tão doce. Lembrar das gincanas da escola, das professoras tão atenciosas, dos passeios no final do ano. Descer o morro de canoa não é para qualquer um.Os amigos da infância. Ficar em casa com a irmã era delicioso, fazíamos pipoca com chocolate e tomavámos o refrigerante do final de semana, o melhor e mais engraçado de tudo era esquecer de lavar a panela e jogar o litro no lixo. Sair de casa escondida para tomar banho no rio e depois voltar com o cabelo molhado, brincar de esconde-esconde na casa do vizinho e se deparar com ele na janela, assistir a jogos de futebol com meu pai, mesmo sem saber qual era a graça de correr com a bola. Dormir na casa de colegas e apostar quem acordava mais cedo. Provocar o irmão até ele tomar bronca, quem nunca fez isso?
Bom,algumas páginas viradas ao serem lidas novamente provocam coceira nos olhos. Deve ter sido algum cisco que o passado deixou.
E as pessoas, engraçado como cada uma seguiu um caminho diferente, aquela tão desejada linha reta, apresentou curvas, atalhos, desvios. Algumas delas pararam, não por falta de vontade, mas pelo simples fato de não se adaptar ao desvio. Outras seguem o caminho de olhos vendados, sem vontade de ver que tudo mudou e há aquelas que enfrentam, adaptam-se à curva, ao atalho de olhos bem abertos. Sonhamos com o caminho perfeito e nos deparamos com a mesma cerca de arame que adorávamos pular.
Não sei, deve ser o momento, mas o leite-condensado está menos doce. O esconde- esconde dos adultos é perigoso, tomo refrigerante todos os dias e depois de comer a pipoca lavo a panela, já que ninguém vai reclamar da presença dela ali. Os rios, quem se arrisca enfrentá-los? O vizinho já se foi. Acordar cedo virou rotina. O futebol tornou-se um banco imobiliário e as provocações cessaram.
Restaram, além das lembranças, os sonhos, o caminho e a pracinha. Sempre que a vejo meu coração dá uma disparada e é inevitável olhar aqueles banquinhos (alguns quebrados) e não lembrar dos sonhos contruídos sobre ele.

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