quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Senhor do destino

Quando vai chegando a hora de ir embora é sempre a mesma ladainha. Lembro-me do cachorro velho de Cecília Meirelles e sinto como se fosse eu. Aquele velho e desgastado cão, eu. Não deveria ser assim, 20 anos é o auge, o pico, tudo à flor da pele, mas me acostumo facilmente com a lentidão das ruas do interior e tem horas que desejo intensamente ser como elas.
Os carros que passam são poucos, mas na velocidade em que passariam 20 outros. E sinto-me mais comparada com a rua. As pessoas deveriam passar em nossa vida como esses carros, lentamente e uma de cada vez.
Quem conseguir, arrisque-se a responder uma das minhas interrogações, de que adianta passarem aos montes e rapidamente? Nenhuma permanece. Nem sequer levanta a poeira e fica mais uma alma lavada e de pés no chão.
Os lugares em que morei são exemplos de tudo isso. Passaram tão rápido que o velocímetro se dissipou.
E no meio da correria, outra “criança adulterada” ousa passar lentamente e meus olhos paralisados seguem-na intoxicados. Loucos, enfeitiçados, traem ao meu coração e a mim, esses olhos...
Agora sentem a revolta que preguei contra eles, lacrimejam e ficam vermelhos facilmente, tolos. Já não conseguem mais juntar os pedaços do coração - que eles partiram. E sinto tanto, e sinto tanta vontade de voltar e guiar cada um com a velocidade adequada.
Juntar-me a tantas outras crianças adulteradas seria a solução? Onde estão elas agora? Tudo andou, correu. Voou.
Só meus olhos permaneceram, permanecem na busca por pedaços do meu coração, que acumulou tanta esperança na lentidão, no sossego, no AMOR, que quando descobriu que tudo vivia do tic e tac, explodiu. Pobre coração, mal sabe que o tempo é o seu verdadeiro dono.
Sinto o cheiro de sonhos, não são de esperança, mas de goiabada. Fome.
Realidade, saudade,
Veeloociidaadee.

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