quarta-feira, 14 de abril de 2010

Chocolate quente!

Às vezes tenho a certeza de que o pior já passou, que o poço, no final, não era tão fundo. Palavras são apenas palavras e gestos são pequenas ações positivas, ou não. Aquele sorriso é verdadeiro e o coração cicatriza-se, lenta e suavemente.
Uma noite, um dia o sol e a lua competem e retornam para o sentido horário. O outono ainda não se decidiu. A rotina engole as horas e os pensamentos. A caminhada no final da tarde só traz o vento. E as estrelas brilham, mesmo sem razão. O gato da casa ao lado me distrai por alguns minutos. A língua áspera deixa os pelos sedosos (que me desculpem os adoradores) e o bichano está pronto para transmitir uma doença qualquer.
Hoje é segunda, amanhã já estou na sexta.
Chega o sábado e passam-se semanas, meses, anos e a promessa realizada no ultimo dia do ano não se cumpre.
É nessa hora da lembrança da promessa, no domingo com chuva que a rotina desaparece.
As pessoas somem - devem estar em qualquer outro lugar bem mais divertido do que ao seu lado. A caminhada traz no vento pó, pó (de lembranças), que se misturam com as gotas de chuva e causam irritação nos olhos. Palavras e gestos são golpes que desfazem qualquer cicatriz. As nuvens encobriram as estrelas e a lua chora solitária.
O outono revela uma de suas faces. Ainda há uma distração, abro a janela e o bichano da língua áspera, tão semelhante a mim, não apareceu, sequer para me olhar com aqueles olhos furiosos que mascaram o ser dócil.
Nesses domingodos chuvosos de outono o poço é fundo. Muito fundo.
E não há mãos suficientes para te segurar. Você cai e torna-se prisioneiro de você. Ajuda? Para quê?
Noite alta, olhos vermelhos no espelho, é hora de treinar o sorriso. Afinal, amanha é segunda e ninguém além de você esquece o domingo com tanta facilidade ou falsidade?

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