A chuva caia para aumentar meu sono. Coloquei meu pijaminha, peguei minha abelha e deitei. Vira de um lado para o outro e nada de dormir. Estar com sono e não conseguir dormir há algo pior?
Levantei, fui mexer nas minhas coisas pra ver se encontrava algo interessante. Encontrei a mania de organização da minha mãe. Todas as minhas coisas separadas por cor, tamanho, idade, etc. Peguei um caderno, folhei e na última página, algo bem tradicional, achei um telefone. (Instante de euforia). Há meses procuro esse número Peguei o telefone e fiquei fazendo figas para alguém me atender. Chamou, chamou, chamou e alguém atendeu. Agi feito criança.
Recuperadas do susto e da euforia, trocamos figurinhas por um bom tempo. Fiquei preocupada com o custo da ligação e tentei reduzir o papo. Foi tão bom ouvir aquela voz. Perdemos o contato durante o ano passado, por falta de atenção da minha parte, fui grosseira e naquele momento não precisava de ninguém, estava completa.
Depois de desligar o telefone comecei a pensar e é engraçado como há pessoas que guardam recordações sobre você, desde as maiores até as mais insignificantes. Não lembrava de bordões, de manias. Ri muito.
Apesar de tudo ter mudado aquela voz fez eco em mim. Reencontrei alguma coisa que estava perdida, não sei dizer o que. É provável que não a ouça tão cedo, no entanto, permanecerá em mim, sempre.
Não lembrava que palavras ferem mais que mil espadas afiadas. Talvez porque nos últimos tempos o silêncio é a única coisa que me fere. Ouvi que saudade não mata e que meta a gente alcança, com ou sem tempo. Senti um friozinho na barriga ao ouvir isso.
A conversa me acordou não só do sono que eu estava sentindo. Mesmo não querendo senti certa culpa. Por que quando tudo parece estar bem nos desligamos ou ferimos as pessoas? Agora está quase tudo mudado.
“Bisa Bia, mude.” Tu tu tu tu tu tu
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