quarta-feira, 14 de julho de 2010

Permita-se

Faz tempo que não tem um texto meu aqui, então resolvi postar um texto antigo que encontrei nos meus arquivos. É bem trágico, devo ter escrito em noites de intensa "melancolia fiosófica". Enfim, só pra ter algo meu aqui hehe




PERMITA-SE


Como voar sem tirar os pés do chão?
Estou aos cacos. Fiz questão de gravar em mim um passado. Tatuei, não apenas na pele, mas na mente e no coração. Descobri que fui arrebentada.
Olhar minhas costas e não notar um teimoso all-star perdido é tão impossível quanto deitar na cama e não sentir a falta de alguma coisa.
Fecho os olhos e uma imagem insiste, aperto-os com força, não adianta, ela ainda está ali, aqui, ou melhor, lá. Longe.
Sexta-feira, tudo e todos me chamam. Não, minha suave resposta. Quero algo que um drink, uma cerveja, um cigarro ou qualquer outra droga não me trarão. Meu querer é tão ousado. É tão suave, doce, no entanto e sem querer, é passado. Vou deitar e embriagar-me dele. No sonho, o passado vira futuro e minhas esperanças renovam-se.
É, sou uma idiota, que idealiza um futuro, sem saber que o tempo é relativo.
Já não sei mais de nada. Meu peito dói, minha mente salta e minhas costas pesam.
O sonho. Você.
As borboletas passam por um processo lento para aprender a voar, não podem ser estimuladas, se fizéssemos isso poderíamos por um ponto final no ciclo, e aquela borboleta não passaria de uma larva. Pobre, indefesa e sem asas.
Larva. A interrupção de um ciclo.
Ao ser retirada do casulo a borboleta não teve um fim. Mudou e continua sonhando em voar, mesmo que fixa ao chão. Para isso a pobre, indefesa e sem asas permitiu-se.
É aí que me pergunto, do que você tem medo? São meus excessos? Minha falta de atenção? É isso que te causa repulsa? Ou você não quer permitir-me, permitir-se?
Sou nada sem tua presença. Pareço louca, me atirar tão cedo.
Detesto quando dizem “isso passa, esquece o passado”. Idiotas. Ninguém sabe a força que tinha nosso casulo.
Se é isso que falta, permita-se. Permita-me.!

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