quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Melancolia

Acordar cedo, estudar, livros, músicas. Todos acham que vida de mosca é fácil, mal sabem eles.
Para liberta-se de uma companhia agradável não há nada melhor do que os sonhos. A mosca dormiu, teve sonhos e acabou misturando-os. Acordou cedo, foi até a janela esperando encontrar o sol, mas deparou-se com uma neblina, áspera e congelante. Um susto que tiraria o bom humor de qualquer um, menos de um inseto.
Na expectativa de um dia produtivo, calçou as botas, vestiu o casaco e foi até a porta, que era mais um armário. Trajou logo um sorriso, um cabelo liso, maquiou-se com senso de humor e saiu para mais um vôo.
No caminho encontrou alguns colegas. A formiga elogiou o cabelo, o grilo comentou sobre a alegria e a barata, como sempre, não disse nada. Depois apareceram à cigarra e o pernilongo com sua nova música. O dia seria cansativo, muitas aulas, informações novas, insetos, tudo muito grande para uma pequena mosca.
No intervalo surgiu uma vontade de voar rápido, para tornar-se apenas um vulto. No entanto, dizem que vida social é importante então preservada será. Conversas e conversas, um zumbido não cala ninguém. Pobre mosca maquiagem impede tantas coisas.
E a rotina segue. Um vôo interno. Há não muito tempo tinha arriscado uma viagem longa, sem comida, sem tempo para descansar e antes do final, um aerossol veio a seu encontro. A fuga foi bem sucedida evitou a morte mas a mosca se viu impossibilitada para voar. Suas asas foram atingidas. Caída no chão debateu-se e ninguém viu. Procurou um espaço sem muito movimento, onde se instalou. Permaneceu durante um bom tempo, tentativas falhas foram realizadas. Cansada e sem ânimo, desistiu. Ficou aguardando o pior. Dias e mais dias e por um instante sentiu as asas. Só poderia ser delírio. Tentou novamente e viu que conseguia voar só precisava de força. O susto causado pelo aerossol foi tão grande que paralisou-a por um bom tempo.
Levantou vôo mesmo fraca. Se voasse até um ponto conhecido poderia descansar, tranquilamente. E foi. Surgiram insetos interessados em ajudar e a mosca retornou. Agora, vive em alerta. Ninguém mais vai levá-la, mentiras não a convencerão. E ainda acredita em coisas boas.
Agora, a tarde acabou, é hora de voltar para casa, despir-se de qualquer ilusão. O quarto, o papel e a caneta nunca a decepcionaram

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